"Iara nem tinha pensado a sério em disputar a aposta mas sua vida inteira mudou ao ver Desmond entrar na casa da Roberta. Andar de atleta, sorriso fácil, iluminado, olhar de... olhar assim como o de uma onda, que chega ruidosa à praia e parte, sugando tudo, carregando tudo o que conquista na areia. Para não ser arrastada, Iara tentou desviar-se, fixar-se no resto, nos braços fortes, nos cabelos louros, longos, espalhando-se pelos ombros... mas logo voltava aos olhos e a onda que saía deles crescia, espumando, ameaçando envolvê-la, puxa-la, tragá-la para o alto-mar... Desejou toma-lo, como um bárbaro viking que invadisse a Inglaterra, roubando favores sexuais sob a ameaça de um machado recurvo. Mas a vontade foi só uma idéia, uma idéia sem língua, que permaneceu calada na garganta. Desmond estendeu a mão, cumprimentou... Nessa hora o que ocorreu à menina foi uma idéia com mãos, ela quis agarrar a mão do garoto, não apertá-la apenas, quis roubá-lo pela mão, começar pela mão e tomar o resto. Ele continuava a espalhar charme por todo o salão, ria-se para Roberta, cumprimentava mais uma garota... Iara quis persegui-lo, envolvê-lo pela cintura, impedi-lo de dividir-se com outras... Mas agora o que vinha era uma idéia sem pernas, idéia só, as pernas de verdade pesavam como chumbo e ancoravam a menina ao chão." Pedro Bandeira